domingo, 3 de junho de 2012
LISBOA
Os períodos grego e romano
Ver artigo principal: Olisipo
Olissipo situava-se na província romana da Lusitânia.
Os gregos antigos tiveram provavelmente na foz do rio Tejo um posto de comércio durante algum tempo,[carece de fontes] mas os conflitos que grassavam por todo o mediterrâneo levaram sem dúvida ao seu abandono, devido sobretudo ao poderio de Cartago na região nessa época.
A degeneração do Império romano, e a feudalização da sociedade romana levaram às primeiras invasões dos povos germanos, hunos entre outros. As iniciativas que inicialmente foram tomadas como colonizações das terras desertificadas pelas terríveis epidemias que mataram grande parte da população da época (provavelmente Sarampo e Varíola), transformaram-se depressa em expedições militares com objectivos de saque e conquista.
A conquista romana e o ouro da Península Ibérica
Após a conquista a Cartago do oriente peninsular, os romanos iniciam as guerras de pacificação do ocidente. Cerca de 139/138 a.C. os romanos conquistaram Olisipo, durante a campanha de Decimus Junius Brutus que reforçou as muralhas da cidade para se defender das tribos hostis, sendo esta mais tarde absorvida no império e recompensada com a atribuição de cidadania romana, um privilégio raríssimo já naquela época para povos não romanos.[carece de fontes] Felicitas Julia, como a cidade viria a ser conhecida, beneficia do estatuto de municipium, juntamente com os territórios em redor, até uma distância de 50 quilómetros, não pagando impostos a Roma, ao contrário de quase todos os outros castros e povoados autóctones conquistados. Foi incluída com larga autonomia na província da Lusitânia, cuja capital era Emeritas Augusta, a actual Mérida (na Estremadura espanhola). A Olisipo romana era uma cidade disposta em anfiteatro entre a colina do Castelo Terreiro do Trigo, o Campo das Cebolas, a antiga ribeira Velha até cerca da Rua Augusta.
No tempo dos romanos a cidade era famosa pelo garum, um molho de luxo feito à base de peixe, exportado em ânforas para Roma e todo o império, assim como vinho, sal e cavalos da região. Ptolomeu chamou a cidade de Oliosipon. Para além exploração das minas de ouro e prata uma grande receita dos romanos provinha dos tributos, impostos, resgates e saques que incluíam objectos de ouro e prata dos tesouros públicos dos povos da Lusitânia e resto da península.
No fim do domínio romano Olissipo seria um dos primeiros núcleos a acolher o cristianismo. O primeiro bispo da cidade foi São Gens. Sofreu invasões bárbaras dos alanos, vândalos e depois fez parte do reino dos suevos, antes de ser tomada pelos visigodos de Toledo, que a chamaram de Ulishbona.[32]
A conquista muçulmana /
Afonso Henriques.
Após três séculos de saques, pilhagens e perda de dinâmica comercial, Ulishbuna seria pouco mais que uma vila no início do século VII. É nesta altura que, aproveitando uma guerra civil do Reino Hispânico Visigótico, que os árabes liderados por Tariq invadem a Península Ibérica com as suas tropas mouriscas, em 711. Olishbuna foi conquistada pelas tropas de Abdelaziz ibn Musa, um dos filhos de Tariq, assim como o resto do Ocidente.
Lisboa foi então tomada no ano 714 pelos mouros provenientes do norte de África. Em árabe chamavam-lhe al-Lixbûnâ Aluxbuna, mas segundo Alhimian, o seu antigo nome era Cudia (Kudia ou Kudiya).[33] Construiu-se neste período a cerca moura.
Lisboa pertenceu à primeira taifa de Badajoz no ano 1013, criada pelo eslavo liberto Sabur Al-Amiri(1013-1022),um saqaliba, antigo subdito de Al-Hakhem II.
Enquanto se fragmentavam as Taifas islâmicas do Sul, no Norte sucedia o Condado Portucalense do Reino de Leão, já em plena Reconquista da Península Ibérica. Apesar de baseado em Guimarães, a força económica que permitia a autonomia do Condado Portucalense estava na cidade do Porto (Portucale ou porto da cidade de Cale, a actual Gaia). É interessante pensar como foi o novo Reino, centrado no dinamismo comercial da jovem cidade de mercadores do Porto, que usufruía de uma posição e importância semelhantes na foz do segundo maior rio da Península Ibérica, o rio Douro, como Lisboa no rio Tejo, que acabaria por conquistar essa venerável cidade.
Uma noiva em sua alcova nupcial
O geógrafo árabe Edrisi escreveu que em Lisboa "o mar lança palhetas de ouro sobre a praia" e que no inverno " os habitantes da cidade vão junto do rio à procura deste metal e se dedicam a isso enquanto dura a estação rigorosa". Almunime Al-Himiar descreve Lisboa em mais pormenor:
"É uma cidade edificada à beira-mar, cujas vagas se vêm quebrar contra as muralhas, admiráveis e de boa construção. A parte ocidental da cidade é encimada por arcos sobrepostos que assentam em colunas de mármore, por sua vez apoiadas em envasamentos de mármore. A cidade é, por sua natureza, muito bela."[36]
O geógrafo Yâqût al-Hamâwî revela mais sobre as suas riquezas:
"É uma cidade antiga, próxima do mar e situada a oeste de Córdova. Nas suas montanhas há bons falcões e produz o melhor mel de todo o al-Andalus, que se conhece como al-ladharnî; parece-se com o açúcar, conservando-se embrulhado em pano, para que não se suje. A cidade está junto ao rio Tejo e perto do mar. No seu solo há jazidas de ouro puro e nas suas costas encontra-se um âmbar excelente.
Ibne Saíde, no século XIII, disse que Lisboa, ao referir-se à sua beleza, "era uma noiva em sua alcova nupcial."
Os aventureiros de Lisboa
Edrisi conta que havia em Lisboa uma rua dedicada a uns "aventureiros" , em homenagem a oito lisboetas que tinham, segundo contavam os habitantes, partido numa expedição marítima para explorar o oceano. Na versão de Al-Wardi havia um bairro com o nome dos "aventureiros".
"Foi de Lisboa que partiram os Aventureiros, aquando da sua expedição tendo como objecto de saber o que continha o Oceano e quais eram os seus limites, como já foi dito. Existe ainda em Lisboa, perto dos banhos quentes, uma rua que se chama Rua dos Aventureiros." Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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